Perimenopausa: a pele muda antes da menopausa
A pele que resseca mesmo com um bom hidratante e o produto de sempre que passa a arder costumam ser os primeiros sinais da transição hormonal. Na maioria das vezes, a sua rotina continua boa: é o seu momento que mudou.
"Minha rotina parou de funcionar"
A pele que resseca mesmo com hidratante bom. Um produto que você sempre usou e que, de repente, passa a arder. O rosto acordando mais murcho e o contorno perdendo sustentação aos poucos.
Se isso soou familiar, é bem provável que seja perimenopausa, a fase de transição que vem antes da menopausa. E ela não espera a idade que a gente imagina: cada mulher entra nessa fase num momento diferente, algumas bem antes dos 45.
Por trás desses sinais está a queda do estrogênio, o hormônio que sustenta a produção de colágeno na derme. Quando ele começa a cair, o colágeno vai junto, num ritmo que a idade sozinha não explica.
O que eu observo na pele nessa fase
Quando uma paciente chega em plena transição, quatro pontos guiam o meu raciocínio.
- Qualidade da barreira. Ressecamento que não responde a hidratante e sensibilidade nova a produtos antigos indicam barreira comprometida. Antes de estimular, eu preciso reconstruir esse terreno.
- Densidade e sustentação. É o que mais pesa. A pele inteira vai ficando mais fina e menos firme, muito além de uma ruga isolada. É aqui que a queda de colágeno aparece primeiro, e é aqui que o tratamento tem mais a ganhar.
- Contorno e distribuição de volume. O afrouxamento muda o desenho do rosto, e não só a superfície. Tratar textura sem olhar estrutura devolve pouco.
- Tempo de transição, não idade. Eu pergunto há quanto tempo os sinais começaram, e não quantos anos você tem. Duas pacientes da mesma idade podem estar em pontos bem diferentes dessa curva.
Esse último ponto tem base. Um estudo clássico, que mediu o colágeno e a espessura da pele de mulheres depois da menopausa, encontrou a perda acompanhando os anos desde a menopausa[1]. O relógio que pesa na pele é o hormonal.
Aos 25 eu refino. Aqui, eu sustento
É por isso que eu não trato uma paciente nessa fase do mesmo jeito que trato aos 25. Aos 25, o corpo ainda produz e o meu trabalho é refinar. Na perimenopausa, a estrutura está em queda ativa, e o trabalho deixa de ser correr atrás de cada sinal novo. Passa a ser regenerar e sustentar, com estímulo de colágeno, densidade e continuidade.
"Nessa fase, continuidade vale mais que intensidade."
Estímulo bem espaçado e constante sustenta melhor do que um procedimento forte de vez em quando. É a base do Método B.Up e dos protocolos regenerativos que eu uso, como o BIOrregenera: um plano pensado para a fase que você está vivendo, e não uma sequência solta de procedimentos.

"E a reposição hormonal?"
Essa parte não é minha. A ciência mostra que a reposição hormonal melhora a qualidade da pele, e essa decisão é sua com a sua ginecologista. Eu não prescrevo hormônio. Eu cuido da sua pele sabendo em que fase o seu corpo está.
Se você já passou da menopausa, escrevi sobre o que acontece com o colágeno depois dela.
E se você se reconheceu nesses sinais, a consulta é o lugar para entender em que ponto da curva a sua pele está e o que priorizar primeiro.
- Brincat M, Kabalan S, Studd JW et al. A study of the decrease of skin collagen content, skin thickness, and bone mass in the postmenopausal woman. Obstet Gynecol, 1987;70(6):840-5. PMID 3120067 · pubmed
Conteúdo informativo. A indicação de qualquer tratamento depende de consulta.
